Estamos prestes a entrar, efetivamente, em um dos momentos mais emblemáticos da história das redes sociais no Brasil: a eleição deste ano, marcada para o dia 5 de outubro. Segundo o diretor-geral do Facebook no Brasil, Leonardo Tristão, esta será “a eleição das redes sociais”. E não é à toa, já que o número de brasileiros com acesso à internet e usuários de redes sociais é imenso.

O triste acidente que tirou a vida de Eduardo Campos, um dos presidenciáveis, alterou muito o rumo destas eleições, assim como o deste post. Muitas das informações coletadas aqui são anteriores ao acontecimento, mas que ainda indicam como será o desenrolar das campanhas políticas dos candidatos a presidência.

O cenário

Segundo pesquisa feita pela comScore em fevereiro deste ano, foram registrados 80 milhões de visitantes únicos à internet. Destes, 72,5 milhões acessaram algum tipo de rede social. O crescimento de usuários, em comparação ao mesmo mês, em 2013, foi de 10%.

O Facebook é a rede com a maior quantidade de visitantes únicos em fevereiro, segundo a mesma pesquisa, 65,9 milhões. A predominância é assombrosa: o tempo gasto pelos brasileiros no Facebook, comparando com as outras redes sociais, é de 97,8%. O Twitter, que vem a seguir, ganha 0,7% do tempo dos usuários de redes sociais. Segundo dados do próprio Facebook, o Brasil possui cerca de 87 milhões de usuários ativos mensais na rede.

A eleição das Redes Sociais

Entre outros motivos, é por isso que o Facebook irá oferecer uma nova funcionalidade para os usuários brasileiros neste ano: o botão “Eu sou um eleitor”. O recurso foi utilizado nas eleições de 2010 e 2012, nos Estados Unidos, e este ano, no pleito para eleger o primeiro-ministro na Índia.

O objetivo do serviço é incentivar os usuários da rede a participarem do processo democrático, como explica o porta-voz do Facebook Andy Stone:

“Há um efeito multiplicador real: quando as pessoas veem no Facebook que seus amigos votaram, elas se sentem motivadas a votar”

A Eleição das Redes Sociais:

Bom, levando em conta todos esses números, já era de se esperar que as redes sociais se tornassem uma espécie de palanque digital dos candidatos – assim como o dos eleitores.

Mesmo que a propagando política direta tenha iniciado apenas no dia 6 de julho, a preparação dos candidatos à presidência começou muito antes nas redes sociais. Isso porque, entre outras coisas, até o início de julho a utilização de anúncios pagos eram permitidos (desde que não pedissem voto), o que possibilitou a criação de uma grande base de fãs nas páginas dos partidos e dos candidatos.

A utilização do Facebook pelos três presidenciáveis gerou um fato curioso. A página de Eduardo Campos, que ocupava a 3ª colocação nas pesquisas de intenção de voto, possui o maior número de curtidas em sua página, com 1,6 milhão de likes. Seguido por Aécio Neves, com 1,4 milhão e Dilma Rousseff, com 924 mil. Marina Silva, a escolhida para assumir a candidatura no lugar de Campos, tem 1,3 milhão de likes em sua página.

A Eleição das Redes Sociais

Juntas, as quatro fan pages possuem mais de 4 milhões de likes. No entanto, é um número pequeno se comparado com os 19,7 milhões de Narendra Modi, que utilizou as redes sociais e as novas tecnologias como base de sua campanha nas eleições para primeiro-ministro da Índia este ano.

Em uma de suas ações, Modi deu comícios em 3D, para estar presente em até 140 lugares simultaneamente e se comparou com deuses do hinduísmo que, de acordo com a tradição, são onipresentes.

O holograma de Narendra Modi em um comício na ìndia

Holograma de Modi em um dos seus comícios na Índia

No Brasil não vemos nada tão ousado, mesmo com a previsão de gastos superiores a R$ 30 mi apenas em campanhas digitais pelos três partidos que disputam o Palácio do Planalto. Segundo estimativa da Carta Capital, PT e PSDB planejam gastar cerca de R$ 12 milhões cada, enquanto o PSB possui um orçamento um pouco menor, de R$ 8,5 milhões.

AO que esperar da Eleição das Redes Sociais? receita foi levada a sério, fazendo com que o público não só interaja, mas faça parte das campanhas. Como na ação #VOTODILMAIS, da presidenta Dilma Rousseff, que convida os eleitores a enviarem fotos declarando o apoio à candidata. Eduardo Campos também caminhava no mesmo sentindo, utilizando citações de apoiadores. Aécio Neves é o mais distante, mas posta fotos dos seus encontros com os eleitores com frequência.

Agências especializadas em marketing político apontam a produção de conteúdo e a interação com o eleitorado como as melhores estratégias nas redes sociais. Essas práticas buscam aproximar o relacionamento entre as partes e humanizar os candidatos, e analisando os conteúdos publicados nos canais dos candidatos isso fica claro.

No entanto, as campanhas estão muito parecidas. Como não há limite de tempo, os candidatos aproveitam as redes sociais para apresentar propostas e divulgar projetos, buscando a atenção do usuário através de uma grande frequência de publicações (e também de driblar a limitação do alcance orgânico).  Mas e você, como está sentindo a movimentação dos candidatos nas redes sociais?