Nas últimas semanas nos deparamos com manifestações na Turquia e no Brasil. Ambas, assim como na Primavera Árabe – que englobou protestos no Egito, Tunísia, Líbia e Síria – foram marcadas pelo protagonismo das redes sociais para organização dos manifestantes. Se no Egito a grande força foi representada pela presença de 90 mil cidadãos nas ruas, hoje, 21/6, no Brasil, cerca de 1,2 milhões de pessoas saíram em mais de 90 cidades para protestar.

Encontramos um rápido estudo sobre as manifestações no Brasil do no blog do Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura (LABIC), que desenvolve desde 2007 pesquisas e atividades de extensão sobre o impacto da cultura digital nos processos e práticas de comunicação contemporânea.

Dois pontos nos chamaram atenção. O primeiro tem a ver com a centralidade de conteúdos gerados por algumas pessoas. Ao pesquisar a tag “tarifa” no dia 13/6, o LABIC encontrou os dez perfis com mais ‘centralidade de autovetor’ na conversação. Segundo o post publicado por , “quanto mais relações com outras subredes, mais centralidade de autovetor possui, ou seja, mais força é atraída por ele. Central é aquele que consegue atrair uma intensidade de relações.”

Assim, os perfis no twitter com mais centralidade no dia 13 foram: @estadao, @silvanabit, @marcelorubens, @pecesiqueira, @jeanwyllis_real, @leorossatto, @choracuica, @gaiapassarelli, @g1 e @tavasconcellos, como se pode ver na imagem abaixo:

10 perfis com mais centralidade em relação à redução da tarifa em São Paulo.

10 perfis com mais centralidade em relação à redução da tarifa em São Paulo.

 

@SilvanaBit atraiu uma força relacional em um único tweet que foi republicado 706 vezes. “Seis repórteres de um único jornal feridos em manifestação contra da tarifa de ônibus. Nem entre correspondentes de guerra isso acontece”.

O blogueiro @pecesiqueira fez uma ironia com a prisão de um jornalista portando vinagre. “Vinagre PUTA ARMA PERIGOSA RT @Estadao SP: repórter da Carta Capital foi detido em protesto por estar com vinagre http://migre.me/f0rLF”.

 

O segundo ponto interessante foi a análise dos gráficos antes e depois da atuação violenta da polícia. No início das manifestações o foco era o relato da passeata que acontecia nas ruas de São Paulo, o que resultou na imagem:

 

Antes da atuação policial, os tweets traziam relatos sobre a passeata em São Paulo.

Antes da atuação policial, os tweets traziam relatos sobre a passeata em São Paulo.

 

Em seguida, com o conflito dos setores policiais com os ativistas, a temperatura da rede sobe:

Após ação da polícia a temperatura da rede sobe.

Após ação da polícia a temperatura da rede sobe.

 

Esses são apenas dois exemplos do que foi analisado pelo Laboratório, mas já é possível ver o quanto a rua é capaz de alimentar a rede e como as  mensagens ganham vastidão em função do trabalho cooperativo de perfis que estão atentos aos fatos e publicam em tempo real informações das ruas e dos meios de comunicação.