Escrito por: Natália Oliveira*

Hoje tivemos novamente na nossa rede social mais frequentada, o querido Facebook, a corrente falsa de que “se você colar isso no seu mural o Facebook não irá roubar seus dados”. Essa corrente foi compartilhada por milhares de pessoas comprovando que o ser humano, mesmo com acesso à informação e, muitas vezes, com alto nível de escolaridade e portador de um cérebro pensante e livre arbítrio, não tem a capacidade de checar fatos e pensar por dois minutos antes de espalhar boatos para seus familiares e amigos mais próximos.

Se uma simples corrente inventada por algum desocupado pode atingir um grande número de pessoas – e até mesmo deixar elas temerosas -, até que ponto vai a incapacidade dos indivíduos de refletir sobre a veracidade dos fatos? Como a “era da informação livre” pode significar uma maior manipulação do povo?

O Facebook, a Propaganda e as Notícias Falsas

00 O Facebook, a Propaganda e as Notícias Falsas

Na década de 70, os pesquisadores Maxwell McCombs e Donald Shaw desenvolveram a Teoria do Agendamento, que defende que a população tem maior tendência a dar importância para aquilo que está tendo grande exposição na mídia. Logo, levando em consideração essa teoria, os meios de comunicação controlam o assunto que está em pauta nas discussões do público.

No Brasil, seis famílias controlam quase toda a imprensa. E são essas pessoas que decidem o que você deve saber, como você deve saber e até mesmo o que pensar sobre isso. Elas são sustentadas por empresas que fazem publicidade em seus veículos e seus objetivos são manter seus anunciantes felizes. Não, definitivamente o objetivo não é manter a população informada de maneira correta.

Quando os grandes meios de comunicação de massa, ao contrário do que deveriam, comunicam as notícias de maneira imparcial, o público vê aquilo que eles querem passar. *gostaria de deixar bem claro que o Governo também entra como anunciante, e um dos maiores.

“A propaganda representa para a democracia aquilo que o cacetete significa para o estado totalitário”. Noam Chomsky

Propaganda, termo originário do latim propagare, começou, a partir de 1622, a ser utilizado para se referir a qualquer esforço para difundir doutrinas religiosas ou políticas.


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Na teoria da Indústria Cultural, Adorno e Horkheimer definem que a produção de bens de cultura – filmes, livros, música, etc – fazem parte de um sistema econômico e político que tem por finalidade tornar a cultura em um produto de consumo.

Como tudo isso se encaixa nos dias de hoje? Não por coincidência, marcas trabalham arduamente a produção de conteúdo para se aproximar de seus clientes, entregando informações supostamente interessantes aos usuários, em troca de dados que possibilitem um canal de propaganda direta. Já a grande mídia se insere dentro das redes sociais, propagando suas notícias e conteúdos e criando uma linguagem amigável para se aproximar cada vez mais do público dentro de um ambiente que, teoricamente, é de todos.

Com o grande crescimento da mídia online – e a queda de meios de mídia tradicional como o jornal (que rende uma boa quantia em dinheiro em anúncios) – os sites buscam dinheiro com anunciantes em suas páginas. Cada impressão de anúncio significa alguns centavos a mais para o dono do site.

Sendo assim, qualquer maneira de levar o usuário para dentro do site e conseguir exibir seu anúncio, é válida. E assim surgiram as notícias caça-cliques: sites de notícias falsas com chamadas sensacionalistas, levando o usuário não somente a clicar na notícia como compartilhá-la em sua rede pessoal. E até mesmo grandes portais “respeitados” utilizam chamadas sensacionalistas em busca de cliques, e quando se lê a notícia inteira, percebe-se que o título não faz muito sentido.

 Além de caça-cliques, notícias falsas também servem para colocar algum assunto em pauta, verdadeiro ou não. Um bom exemplo disso são as notícias falsas sobre política, que antes de comprovadas inverídicas, são compartilhadas por milhares de pessoas, colocando pessoa x em pauta e formando opiniões a respeito. Isso ocorreu nas últimas eleições dos EUA, com o candidato D. Trump. E ocorre aqui no Brasil, onde muita gente tira como base de informações notícias falsas, utilizando elas como argumentos e disseminando opiniões em cima disso.

Nessa suposta era da informação livre, onde está o conhecimento? Se evoluímos tanto em termo de pensamento livre, e de não depender mais dessa tal grande mídia para a manipulação de informações, porque a população ainda se vê refém de informações falsas, muitas vezes utilizando elas como base para a propagação de alguma opinião pessoal? Excluindo totalmente a capacidade de análise, de verificação de fatos – possibilitada pelo acesso à internet – nos encontramos em um momento de excessos de informações, porém grande escassez de conhecimento.

Enquanto isso, os grandes anunciantes e empresas de comunicação continuam lucrando, e todos continuam a dançar cegamente conforme a música que eles colocam para tocar na sua playlist da semana.

*Natália Oliveira é Mídia na BigHouseWeb