Bom, eu tenho quase certeza que você tem no celular ou, pelo menos, conhece alguém que tenha o aplicativo do Pokémon Go instalado no seu smartphone. Não tem como escapar. O fenômeno já bateu a marca de 100 milhões de downloads e quebrou diversos recordes, tornando-se o maior jogo mobile da história.

O jogo capta a geolocalização e as funções da câmera do seu smartphone, obriga você a caminhar pela cidade procurando algum Pokémon (monstrinho virtual) que pode aparecer em qualquer local da cidade, de acordo com seu tipo, status e força.

Diversas empresas e profissionais do marketing pelo mundo estão se esforçando bastante para embarcar no sucesso do game. No Japão, por exemplo, local de nascimento da franquia Pokémon, o McDonald’s tornou-se o primeiro grande patrocinador do jogo, convertendo quase todos os seus 3000 estabelecimentos em PokeStops – pontos onde os jogadores precisam ir para recarregar sua bagagem de itens e ganhar experiência – ou em Ginásios Pokémons – local onde os treinadores vão para batalhar e garantir moedas virtuais.

 

Pokémon Go e o Marketing

Pokémon Go e o Marketing: como aproveitar a febre do momento.

Mas, como tirar proveito da relação entre Pokémon Go e o Marketing?

A minha vida inteira fui apaixonado por jogos. Desde o Nintendinho até o Playstation 4, eu joguei praticamente todos os principais jogos e muitas vezes até os nem tão principais assim. E, muito por causa da idade, 23 anos, tive uma infância fortemente ligada ao anime dos monstrinhos coloridos, o Pokémon. Hoje, estou rumando para o 5º semestre de Publicidade e Propaganda e sou estagiário de marketing na BigHouseWeb.

Tendo conhecimento dessas informações, você já deve imaginar qual foi minha reação quando lançou o jogo: adeus vida social, ou melhor, bem-vindo relacionamento entre games e o mundo real. Resultado disso foi: level 28 e 138 Pokémons capturados – dos 142 possíveis no Brasil – em praticamente dois meses de jogo.

E, são por esses motivos, que eu me considero com alguma autoridade para dar algumas dicas de como aproveitar-se do jogo e descrever um pouco a relação entre Pokémon Go e o Marketing.

Criatividade

Então, é bem provável que você não tenha um império de fast-foods para preencher a ponte de ligação entre um jogo de realidade virtual e o mundo real. Na verdade são poucas as pessoas no mundo que dispõem de tal privilégio. Mas, existem pessoas que desfrutam de outro privilégio: a criatividade.

O proprietário de uma pizzaria em Nova York, por exemplo, pagou singelos 10 dólares para atrair Pokémons, temporariamente, para a PokeStop do estabelecimento. O que aumentou em 75% o número de pessoas que frequentavam a pizzaria. Essa é uma função do jogo chamada Lure. Quando o usuário ativa uma Lure em uma PokeStop, os monstrinhos começam a spawnar com maior frequência ao redor do local. Essa é uma ótima e barata opção para quem tem uma PokeStop próxima ao estabelecimento. É só ativar as Lures, divulgar nas redes sociais e aguardar os treinadores que chegam aos montes para capturar os bichinhos.

Emoção

Se há 6 anos atrás o Doritos já utilizava a tecnologia da realidade aumentada e anteriormente ao Pokémon Go já existiam outros jogos utilizando a tecnologia, o que tornou o game tão diferente?
A resposta para essa pergunta está no marketing. Bons profissionais de marketing entendem como minar seus clientes de promoções, entendem suas rotinas, interesses, medos. Entretanto, os gênios do marketing entendem sobre a importância da emoção.

A mágica feita por Pokémon Go é tocar na emoção dos jogadores. O jogo não é tudo isso! Perdão aos mais fanáticos, mas o jogo tem um sistema fraco de gameplay e por muitas vezes se torna chato e repetitivo.

Mas, isso é um detalhe perto da emoção de correr atrás dos monstros que fizeram parte da sua infância e poder “viver um pouquinho” do que o Ash viveu em sua jornada Pokémon.
Emoções tornam os produtos mais duradouros e lucrativos. A Niantic, desenvolvedora do jogo, entendeu isso muito bem e conseguiu criar um vínculo extremamente forte entre o usuário e a marca.

Recompensa

Passando pela timeline do Facebook distraído algum dia desses, um certo evento me chamou a atenção: PokeParty. Era a divulgação de uma festa, em uma certa casa noturna de Porto Alegre. Curioso pelo tema do evento – uma festa inspirada em Pokémon chama a atenção, obviamente – fui ler a descrição do evento. Ao descer os olhos pelas linhas da descrição, decepcionei-me: tratava-se de uma festa normal, como todas as outras festas da casa noturna, o tema era só pra atrair público.

Contudo, chegando no fim, descobri algo que, como estudante de publicidade, me soou como uma boa ideia. A festa oferecia entrada gratuita para líderes de ginásios. Isso mesmo. Era só você apresentar seu Pokémon marcado como líder de ginásio e não pagar a entrada. Outra forma de agradar os players era oferecendo desconto na bebida de acordo com o level do jogador.

Os produtores da festa aproveitaram-se da febre do jogo para acabar com a concorrência e atrair os player com um sistema de recompensa.

Recarga

Bateria. O grande problema do jogo. O jogo usa uma grande parcela da capacidade operacional do celular e, por isso, gasta uma grande (enorme) quantidade de bateria.

Eu já tinha notado que isso poderia ser um diferencial do estabelecimento quando, no terceiro dia de lançamento do jogo, saí pra jantar com minha namorada e fui jogando o caminho todo até o restaurante. Chegando lá, continuei jogando e capturando os monstrinhos que apareciam por perto. O que aconteceu? A comida nem havia chegado ainda e eu já estava com 5% de bateria. A minha sorte é que o local disponibiliza carregadores portáteis, o que permitiu a continuação da minha experiência no jogo.

Depois desse dia, comecei a frequentar os parques da cidade nos domingos e continuei enfrentando o mesmo problema: falta de bateria. Foi quando, então, me deparei com a genialidade dos brasileiros: um rapaz passou por mim com uma uma bateria de som automotivo e uma régua enorme de tomadas. 3 reais meia hora, 5 reais uma hora. Pela quantidade de clientes que eu presenciei, ele deve ter saído do parque com os bolsos cheios.

Temos que pegar

A verdade é que o mercado do marketing ainda está se adaptando à essa nova tecnologia que mistura Real x Digital. E, para quem conseguir dominar este equilíbrio, o resultado será o tipo de publicidade digital que permite que as empresas não apenas anunciem seus produtos, mas, sim, criem experiências mágicas que vão conquistar uma legião de fãs apaixonados e, cada vez mais, recordes serão quebrados.