Ora, aqui no blog estamos sempre batendo na tecla de um dos nossos eventos preferidos: o Big Talks. E o que é o Big Talks? Basicamente, um evento para discutir caminhos e tendências profissionais na comunicação.

No entanto, desde outubro estamos descobrindo uma possibilidade mais pessoal e subjetiva desse encontro. E se usássemos esse tempo e espaço para discutir coisas pautas sociais e como elas afetam nosso mundo profissional? Por exemplo, o racismo estrutural e como ele atinge a representatividade de negros na mídia.

Da esquerda para a direita: Iarema Soares, Ketlyn Couto e Airan Albino.                                                                                                             Foto: Lucas Martins

Iarema, Ketlyn e Airan: os nomes que nos ajudaram a entender sobre a importância da representatividade negra na mídia

Nossa roda de conversa foi protagonizada por três pessoas que, com suas reflexões, empatia e provocações nos ajudaram a desconstruir (parte) do racismo estrutural que permeia a sociedade – e, portanto, a Comunicação: Iarema Soares, Ketlyn Couto e Airan Albino.

Iarema Soares é jornalista e especialista em Literatura Brasileira. Já trabalhou como repórter no Jornal do Comércio e como produtora de televisão em canais como OCTO (RBS) TVE, Pampa e BAND. Atualmente, trabalha como diretora de comunicação da Perestroika. Além disso, faz parte do coletivo Nonada Travessia, de jornalismo cultural, da Rede de Ciberativistas Negras do RS e é voluntária do AfroPython.

Ketlyn Couto é relações públicas e trabalha com atendimento publicitário na DZ Estúdio. Em seu trabalho de conclusão de curso tratou sobre a construção identitária do negro a partir das representações midiáticas das religiões afro-riograndenses.

Airan Albino é jornalista e um dos fundadores do grupo MilTons, que se propõe a discutir as masculinidades negras. É envolvido com cultura e questões de identidade racial em Porto Alegre. Participa, como editor, do Nonada – Jornalismo Travessia.

A jornalista Iarema Soares falando sobre naturalização da violência contra o povo negro na mídia.                                                          Foto: Bruna Teixeira

O que aprendemos sobre racismo e representatividade negra na mídia com o Big Talks?

1- Uma mulher negra tem que ser duas vezes melhor… para ganhar quase a metade do que um homem branco ganharia

O racismo estrutural mina as oportunidades de homens e mulheres negros. E isso inclui as oportunidades profissionais. Para uma mulher negra obter um cargo de liderança, ela deverá ser duas vezes melhor que seus competidores – mas provavelmente ganhará só 43% do salário de um homem branco que exerce o mesmo cargo.

2 – Repense os processos seletivos da sua empresa

Inglês fluente, heavy user de redes sociais, experiência de intercâmbio… São esses os pré-requisitos para estagiar na sua empresa? Infelizmente, esse tipo de exigência exclui parte da população negra (graças ao abismo econômico que separa profissionais brancos e negros). Para para pensar: sua política de seleção inclui ou exclui a diversidade?

Como a mídia representa a mulher negra nas suas produções?

3 – Existem, basicamente, 9 estereótipos negros na mídia

Jim Crow, Welfare Queen, Magical Negro, Angry Black Woman, Negra Fogosa, Mandingo, Uncle Tom e Mammy. Esses estereótipos são repetidos pela mídia de maneira preguiçosa e… racista. Alguns podem até aparecer com um visual moderno e repaginado, cheio de boas intenções e empoderamento, mas, se olharmos mais a fundo, ainda reafirmam as mesmas ideias.

4 – Tudo o que era negro e demonizado e hoje é branco e aceito eu vou chamar de blues

Nosso evento também coincidiu com o lançamento do álbum Bluesman, do Baco Exu do Blues. A frase que nomeia esse tópico faz parte de uma das canções e é uma crítica à apropriação cultural do negro pelo branco. Basicamente, uma pessoa negra tem que pensar duas vezes na sua aparência para não ser julgada no seu trabalho, faculdade ou qualquer lugar que seja.

5 – As coisas estão mudando devagar, mas estão mudando!

Ao mesmo tempo em que tivemos campanhas catastróficas no que se refere à diversidade e inclusão racial, também tivemos marcas que acertaram – muito! E elas nos dão uma certa esperança. Dá uma olhada nas campanhas que selecionamos como um bom exemplo:

 

Todo o pessoal que participou do Big Talks #5!                                                                                                                                                            Foto: Lucas Martins

A representatividade negra na mídia tende, cada vez mais, a se fortalecer

Precisamos cada vez mais conversar sobre racismo, lugar de fala e empoderamento negro – tanto na Comunicação, quanto no mundo. O racismo deve acabar e, em seu lugar, políticas de inclusão e diversidade devem surgir. Que sigamos unidos, nos fortalecendo contra o preconceito todos os dia!


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