Alan Turing e seu sistema avançado de decodificação.

A inteligência artificial (IA) surgiu dos experimentos científicos e avanços causados pela eclosão da Segunda Guerra Mundial. 

No entanto, apesar da tecnologia necessária para o desenvolvimento da IA ter nascido na década de 1940,  o mundo só a conheceria por esse nome muitos anos depois, através das pesquisas do matemático John McCarthy (Boston, 1927 – Stanford, 2011)

Foi McCarthy o responsável pela criação da linguagem de programação Lisp (List Processing) – uma das linguagens mais antigas voltadas para a inteligência artificial. 

Mas calma, vamos explicar melhor o surgimento da inteligência artificial, da linguagem Lisp e dos demais pontos da história da IA ao longo do texto. 

Neste post, iremos abordar:

O que significa inteligência artificial?

De acordo com os especialistas, a IA (Inteligência Artificial) designa um ramo das ciências da computação encarregado de desenvolver dispositivos capazes de emular a cognição humana. 

Assim, além das ciências da computação, os campos de estudo da neurociência e psicologia também se encontram nessa área.  

O principal objetivo dessa abordagem tecnológica e neurológica é tentar imitar as sinapses neurais humanas (o que nos faz pensar, sentir, diferenciar e resolver problemas) por meio da linguagem de programação. É como se fosse uma interpretação automatizada do nosso pensamento. 

Robô fazendo expressão de estranhamento.

Como surgiu a inteligência artificial: uma linha do tempo

1 – As sementes da década de 1940

Foi na década de 1940 que eclodiu um dos eventos mais importantes e significativos da História: a Segunda Guerra Mundial. Agora, você deve estar se perguntando: o que essa guerra tem a ver com o surgimento da inteligência artificial? 

É válido lembrar que guerras não são apenas ganhas nos campos de batalha. Elas também acontecem em laboratórios e, geralmente, quem conseguir desenvolver a tecnologia mais avançada, irá sair vitorioso. 

E foi justamente isso o que ocorreu na Segunda Guerra Mundial: o conflito impulsionou pesquisas de tecnologia de ponta. O grande objetivo era desenvolver armamentos bélicos de última geração. Porém, sabemos que uma descoberta vai levando a outra e suscitando novos estudos e interesses. 

Gif que retrata manifestação contra a Segunda Guerra Mundial, com um cartaz escrito "War is over".

2 – Alan Turing e a quebra do Enigma 

O matemático Alan Turing (Maida Vale, 1912 – Wilmslow, 1954) (retratado no filme O Jogo da Imitação pelo ator Benedict Cumberbatch) foi, sem querer, um dos pais da IA. Convocado pelo governo inglês em plena Segunda Guerra Mundial, a tarefa de Turing era quebrar a codificação da máquina Enigma. 

A máquina, criada pelos alemães, embaralhava as mensagens trocadas pelo Eixo (núcleo Alemanha – Itália – Japão). O objetivo era evitar que os Aliados entendessem as mensagens interceptadas. 

Alan Turing quebrou o código criando um sistema de decodificação avançado. Além disso, o Teste de Turing foi outra contribuição do matemático. O teste serve para medir a autonomia de robôs. 

Segundo ele, deve-se colocar um robô e um humano conversando em frente a um teletipo. Se o humano não souber dizer se o seu interlocutor é homem ou máquina, o robô passa no Teste de Turing. 

Alan Turing e seu sistema avançado de decodificação. Imagem: NSC Total

Alan Turing e seu sistema avançado de decodificação. Imagem: NSC total

3 – Década de 1950: a descoberta de John McCarthy

O professor John McCarthy, da Universidade de Stanford, cunhou o termo inteligência artificial na Conferência de Verão de Dartmouth, em 1956. O pioneirismo do matemático se deu quando, nesse verão, decidiu selecionar um grupo de cientistas para observar e estudar formas de “ensinar” as máquinas. 

Como resultado de suas interações com as máquinas, McCarthy criou a linguagem de programação Lisp (List Processing). Essa forma de linguagem foi uma das precursoras da codificação em inteligência artificial. 

Para se ter uma noção da importância da Lisp, especialistas (como o diretor de pesquisas do Google, Peter Norvig) apontam que essa linguagem foi a precursora e ancestral das formas de comunicação que usamos atualmente, como o JavaScript. 

“[McCarthy] realmente capturou o que a computação significa. […] pessoas como Turing tinham um jeito matemático de definir computação. Mas ele [McCarthy] foi o primeiro a realmente colocar essa essência da computação na simples linguagem de programação, e isso teve um grande efeito em muita gente.” 

Peter Norvig sobre John McCarthy em entrevista à revista Wired, 2011

Além disso, não podemos esquecer o contexto dos Estados Unidos na década de 1950: em plena Guerra Fria, os ianques lutavam contra os russos não apenas pelas divergências econômicas e políticas, mas também pela supremacia tecnológica. E, como já dissemos, guerras impulsionam pesquisas e estudos em tecnologia de ponta… 

4 – Década de 1990: Xeque-mate 

Na década de 1990, os cientistas queriam elevar o patamar da inteligência artificial. O intuito era fazer com que as máquinas pensassem de forma racional, com um raciocínio cada vez mais próximo do dos humanos. 

Umas das tentativas mais icônicas de elevação da IA foram as partidas de xadrez entre o campeão mundial Garry Kasparov (Baku, 1963) e a máquina Deep Blue, da IBM. 

O primeiro match entre os dois aconteceu em fevereiro de 1996. O resultado? A vitória de Kasparov por 4 – 2.

Esse primeiro conflito fez com que os cientistas da IBM investissem no aprimoramento da Deep Blue. Assim, o programa foi completamente repensado – inclusive, jogadores de xadrez auxiliaram nessa reprogramação. 

Dessa forma, com 256 co-processadores, a máquina foi capaz de analisar (ou pensar) aproximadamente 200 milhões de posições por segundo.

Por conta da otimização, em 1997, o cenário foi outro e a máquina venceu o confronto por 3½ – 2½. Kasparov, inclusive, levantou suspeitas de trapaça da máquina – o que podemos encarar como resquícios ainda mornos da Guerra Fria, já que Garry era soviético e a IBM representava os Estados Unidos. 

A disputa virou o documentário The Man vs. The Machine e você pode vê-lo aqui. 

Gif do documentário The Man vs. The Machine.

5 – Anos 2000: uma corrida no deserto 

Em 2004, um evento realizado no Deserto de Mojave pela agência do Departamento de Defesa americano, a Darpa (Defense Advanced Research Projects Agency), deu origem aos primeiros carros autônomos do mundo. 

O evento levou o nome de Grand Challenge (seria então o primeiro Darpa Grand Challenge) e pagaria até um milhão de dólares a quem criasse um veículo autônomo que conseguisse percorrer 241 quilômetros, em Mojave. 

Essa corrida maluca de carros sem piloto pode parecer uma brincadeira, mas o governo americano tinha outros planos em mente. Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, o Congresso dos Estados Unidos estava pressionando os profissionais do Departamento de Defesa a criar soldados robô e veículos que dispensassem a necessidade de pilotos. 

Aí entrou o primeiro grande desafio Darpa. 

Entre motocicletas e caminhões pesando toneladas, a expectativa era de que os veículos conseguissem seguir as coordenadas de GPS, analisar os dados, escolher o melhor caminho e ainda desviar de obstáculos. E no fim, a corrida deu certo? Não tanto. O melhor colocado – um jipe vermelho – fez menos de 5% do percurso. 

No entanto, a Darpa não desistiu. No ano seguinte, ela dobrou o prêmio e o campeão foi Stanley, um Volkswagen Touareg modificado por alunos da Universidade de Stanford (sim, a mesma onde John McCarthy trabalhou por 40 anos). O veículo conseguiu fazer 212 quilômetros em 6 horas e 53 minutos. 

Stanley, o Volkswagen Touareg, e a equipe de Stanford. Imagem: Defense Media Network

Stanley, o Volkswagen Touareg, e a equipe de Stanford. Imagem: Defense Media Network 

6 – E hoje, como funciona a inteligência artificial? 

Você acessa aplicativos de mobilidade, como o Waze, por exemplo? Ou usa a Netflix ou o Spotify? Se você está em contato com qualquer um desses serviços, você está em contato com a inteligência artificial. 

Programamos nosso itinerário, atualizamos nossos cronogramas, aceitamos recomendações automáticas de filmes, músicas e vídeos dos algoritmos otimizados do YouTube e outros sites. Em outras palavras: vivemos lado a lado com a IA. 

Até mesmo a Siri, da Apple, e a Alexa, da Amazon, são resultado da tecnologia de inteligência artificial. Essas assistentes pessoais nos ajudam a localizar informações úteis por meio da leitura de comandos de voz.

Preste atenção no nome de todas as empresas que falamos até agora: Apple, Amazon, Netflix, Spotify e muitas outras que são consideradas as maiores do mundo em seus segmentos estão investindo em tecnologia de IA. O que acaba aumentando cada vez mais a demanda por profissionais que atuem nesse segmento… 

Contudo, a inteligência artificial vai além. Com modelos estatísticos de previsão de cenários e cálculo de probabilidade, a IA já está sendo usada para estimar a probabilidade de determinados indivíduos desenvolverem tumores. 

Um exemplo desse caso foi quando os médicos afirmaram que a atriz Angelina Jolie tinha mais de 80% de chance de ter câncer de mama, o que resultou em uma mastectomia preventiva noticiada mundialmente. 

Até mesmo as viagens de avião em voos comerciais estão relacionados a IA! Na verdade, menos de 7 minutos do voo é feito pelo piloto. O restante do trajeto é traçado por um algoritmo, resultado direto da inteligência artificial. 

Rosto de mulher se abrindo, revelando uma máquina por dentro. Analogia a Inteligência Artificial.

Como surgiu a inteligência artificial: dica cinematográfica

Se estamos falando sobre como surgiu a inteligência artificial, como indicar outro filme que não O Jogo da Imitação (2015, Morten Tyldum)? Nele, conhecemos Alan Turing e a equipe selecionada pelo governo inglês para decodificar a máquina Enigma. 

Além de ilustrar como teria sido a criação do computador de Turing, o filme também nos brinda como reflexões éticas e morais sobre sexualidade e relações de gênero. Mais ainda: Benedict Cumberbatch e Keira Knightley estão incríveis. 

O Jogo da Imitação (2015, Morten Tyldum)

E você, o que acha sobre a inteligência artificial?  

Será que o inevitável avanço da área de IA nos anos futuros irá trazer mais benefícios ou problemas para a nossa sociedade?