Você sabe como anda o mercado de design no Brasil? Com certeza, se você trabalha com comunicação, você tem uma ideia. Mas você sabe como anda o design no Brasil na visão internacional?

A head de design da Big House, Yasnaya Yañez, 29, é da Venezuela – país que tanto tem se ouvido falar atualmente e não vive o seu melhor momento. Yas é cheia de personalidade, com muito a dizer sobre design, Brasil e  imigração.

Quer saber o que a Yas tem a dizer sobre o design no Brasil? Então confere nossa entrevista no melhor estilo pingue-pongue:

Yas e sua relação com o mercado de design no Brasil

Big House: Yas, há quanto tempo tu estás no Brasil?

Yasnaya: Estou aqui há quatro anos e meio.

B: Há quanto tempo exerce a profissão de designer no país?

Y: Sou designer no Brasil há 4 anos.

B: Na tua percepção, como é o mercado de design no Brasil?

Y: O Brasil tem muito conhecimento em publicidade, design de interiores, de móveis mas o conhecimento sobre design gráfico é muito escasso. Eu não conhecia muito o design brasileiro antes, mas pelo que eu aprendi nesses anos aqui posso dizer que o design no Brasil é muito inconstante, mas num sentido bom. Aqui, as tradições brasileiras estão sempre presentes, mas se mostram de maneiras diferentes. Tem forte estudo na fotografia, colagem e composição visual. Isso tudo está sempre atrelado à publicidade. O design brasileiro, ao meu ver, é muito direto, com propósito e objetivo.

Quais as diferenças entre o design no Brasil e na Venezuela?

B: Quais são as principais diferenças entre o design no Brasil e na Venezuela?

Y: Na Venezuela é bem diferente. O design gráfico e o editorial se fazem mais presentes. Isso desde os anos 1960. A tipografia e o iconografia são muito estudadas lá. Temos alguns problemas em conseguir misturar várias técnicas visuais numa peça só, porém o resultado é menos objetivo do que aqui no Brasil. Tem pegadas mais mentais e subjetivas. O design venezuelano é bem mais aprofundado, com forte conteúdo histórico, e propriedade em cada linha que se faz. Também há muita influência na arte ótica, porque os principais artistas desse movimento são designers venezuelanos.

B: O que tu acha das oportunidades de trabalho para designers aqui no Brasil?

Y: O Brasil é um país muito grande, com alto desenvolvimento em todas as áreas do design. Porém as oportunidades de trabalho na área são poucos. Quem tem acesso ao design são poucos e esses poucos acabam criando oportunidades para eles mesmos. Quando eu cheguei aqui o mais difícil foi me adaptar ao jeito de trabalhar com o design. O trabalho não é muito valorizado, muito menos se é um estrangeiro que está entrando nesse mundo. Porém, quando se tem resistência e vontade de trabalhar na área, quebramos essas paredes, começamos a ter mais destaque e possibilidades de fazer muitas coisas. Agora eu estou num momento da minha carreira que consigo ter responsabilidades e desafios maiores no design. E isso é incrível.

B:  Quais são as principais referências que você usa para trabalhar com clientes brasileiros?

Y: A minha primeira referência é a publicidade brasileira. Tem uma coisa que admiro muito nos brasileiros, que é a redação publicitária. Depois procuro muito sobre o que faz a Grendene com todas as suas marcas: Melissa, Rider, etc… Também gosto de ver algumas agências de publicidade brasileiras como a África.

“A minha referência é a publicidade brasileira”

B: Quais são suas principais fontes de inspiração?

Y: Arte. Sempre tento construir um discurso visual baseado em movimentos artísticos que construíram  linhas e estruturas visuais em escala mundial. Videoclipes, publicidade argentina e design gráfico venezuelano.  

B: Você enxerga o mercado de design no Brasil como exigente? Por quê?

Y: Depende. O Brasil é um país muito grande. Sempre tento lembrar disso. São 200 m i l h õ e s de pessoas consumindo. Isso pode ser uma vantagem ou uma desvantagem ao mesmo tempo. O design gráfico tem muito espaço para crescer. Isso seria uma vantagem, mas ,ao mesmo tempo, é um desafio tentar comunicar de um jeito simples e direto para um público geral, que é gigante. Então, para mim, o mercado do design é exigente. Principalmente porque é um país diferente para mim, tem coisas que ainda não conheço, mas ao mesmo tempo é um desafio constante. Um desafio bom, porque me faz estar criativamente inquieta sempre. E por isso estou aqui ainda.

“São 200 milhões de pessoas consumindo”

B: Você gosta de trabalhar aqui no Brasil? Por quê?

Y: Gosto! O Brasil é um país muito rico. Todos os dias me inspira visualmente. Tem tantas diferenças que algumas vezes me sinto em vários países dentro de um só. As ruas gritam “C R I A!” cada vez que passo por elas e isso é o que me motiva. Eu não sou uma pessoa multi-tasking, que sabe sobre muitas coisas. Eu desenho, ponto. O Brasil me faz desenhar todos os dias. E isso não mudo por nada.

B: Não tem como deixar de falar da situação da Venezuela no momento. Como você enxerga a imigração dos venezuelanos para o Brasil? Acha que o país oferece boas chances para vocês sobreviverem e se desenvolverem aqui?

Y: Eu agradeço todos os dias pelo que Brasil tem feito por mim. Eu cresci como profissional aqui, eu aprendi uma nova língua, eu me desenvolvi como indivíduo adulto aqui. Considero que trouxe muita coisa da Venezuela, mas o Brasil foi quem me deu as ferramentas para botar isso em prática. Acredito que o mesmo vai acontecer com os venezuelanos que estão chegando no país. Nós venezuelanos somos um povo disposto ao trabalho, não temos medo de aprendizagem e somos bons em escutar e executar. Tristemente a nossa terra não permitiu que nos desenvolvêssemos lá dentro mas eu sinto que nós, como imigrantes, temos a disposição de transformar o Brasil. Quando falo “nós”, também falo de haitianos, senegaleses, sírios e todos os imigrantes de países em conflito. Nós queremos dignidade. Com trabalho e esforço, num país que nos proporcione isso, vamos conseguir alternativas para uma mudança positiva no Brasil.


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